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A Arte Narrativa, Subjetivações e Promoção de Saúde

A griô Aprendiz Adriana de Holanda compartilhando conhecimento em Cultura e Saúde, através do ritual da contação de histórias, oferta o  trabalho de pesquisa na Pós-Graduação em Psicologia da UFF.

A dissertação de Mestrado, na área de Subjetividade, política e exclusão social  foi construído através de uma pesquisa/intervenção realizada nas enfermarias pediátricas do Hospital Universitário Antônio Pedro (Niterói – RJ), no período de 1999 a 2001. Seu campo de intervenção foi configurado a partir da realização de
Grupos de Brincadeiras com as crianças hospitalizadas. Nesses grupos foram tecidas
narrativas sobre o adoecimento e a hospitalização. Outra fonte de narrativas também se formou a partir da realização de um curso de extensão com os profissionais de saúde. Todas essas histórias formaram o campo de
análise dessa pesquisa. O objetivo dessa dissertação foi mostrar a polissemia das formas
de praticar e narrar o cotidiano do espaço hospitalar. Histórias e experiências que contadas desataram as práticas silenciosas dos procedimentos medicalizadores, não só sobre o corpo, a doença, mas também das
possibilidades de vida durante o adoecimento no hospital. Entre as oscilações de experimentação de vida e morte, saúde e doença, arte e hospital foram construídas histórias que não ficaram encarceradas nos ditames disciplinares
produtores de doenças, traumas, síndromes que legitimam classificações patológicas, psicossomáticas, lúdicas, terapêuticas, etc. Brincar, experimentar a solidariedade de contar histórias e criar vida: enfrentamentos criativos que afirmaram modos de viver o adoecer, a internação hospitalar e  a relação com a morte e a dor.

dissertação correção – Adriana de Holanda

PONTO DE CULTURA E AÇÃO GRIÔ GINGAS INICIAM CICLO DE ATIVIDADES DA CONSCIÊNCIA NEGRA

Por Adriana de Holanda (adriana@gingas.org.br)
Iniciando o mês da consciência negra, a Ação Griô do GINGAS e os multiplicadores culturais das oficinas de percussão e capoeira do Ponto de Cultura Casa da Cultura Afro-brasileira/GINGAS realizaram um encontro emocionante entre a educação e a cultura.
Saímos de nossa cidade, carregando em nossos corpos a vontade solidária de fazer cultura, de compartilhar aquilo que nos une, mas do que doar algo que nos foi retirado historicamente: a nossa própria cultura! E assim embarcamos com nossos sons, sonhos, musicalidades “afro-índio-brasileiras”…

Na presença de 100 estudantes da Escola Municipal de Realengo-RJ e do corpo docente, iniciamos nossas histórias “griôs”, nossas andanças, e falamos de nossas tradições, da sabedoria dos mestres da cultura popular de nosso país…

Falamos e ouvimos sobre a geografia musical da ciranda de Lia de Itamaracá e das Baraxós, dos mestres “maracatuzeiros” e “coquistas”, dos mestres da capoeira… Dessa sabedoria plena dos fazedores de cultura, que ainda existe apesar de força que sempre os pretendeu aniquilar!

E resistindo cantamos juntos um afoxé que fala de Zumbi dos Palmares…

 

 

Na presença desses 100 estudantes, nas nossas conversas e experimentações musicais e gestuais, descobrimos que nenhum deles havia ouvido o som do maracatu, do coco ou do afoxé…

 

Descobrimos que a cultura, suas linguagens, sua força histórica encantam sim os nossos estudantes brasileiros, falam da nossa identidade, da nossa memória, assim como nos ensinou Lilian Pacheco e Marcio Caíres do “Ponto de Cultura Grãos de Luz e Griô”, de Lençóis-Bahia.

       

Agradecemos a Profa. Andréia Prestes, que naquele momento mágico, nos diz que a cultura que ali compartilhamos é de extrema importância, pois aqueles alunos não tema cesso a cinema, teatro e a manifestações culturais… Depois da nossa atividades, a professora Andréia, nos relata dias depois da atividade que… “Os alunos adoraram!!! Essa semana enquanto eu preparava uma atividade em sala alguns alunos cantavam as músicas que aprenderam. Foi muito legal.” E compartilha o registro que fizeram da atividade no blog da escola…

“O link do nosso blog é: http://professoresgecnicaragua.blogspot.com/

E quem sabe se a gente, isto é, nós todos fazedores de cultura, educadores, estudantes, lutarmos muito e juntos, poderemos um dia voltar nessa escola, não só pra lembrar que é preciso resistir à força do extermínio cultural de matriz africana, mas para criar redes de aprendizado onde os afetos, os encontros, as histórias de vida, a dança, a música possam ter valor, onde quem nós somos e a nossa história possa ser valorizadas….

Quem sabe um dia a “pedagogia griô” possa ser implementada nas escolas brasileiras…
     

Quem sabe a lei que obriga o ensino de História da áfrica e da História da Cultura Afro-Brasileira possa realmente acontecer como parte efetiva do projeto político-pedagógico das escolas brasileiras e não apenas como projetos especiais, pontuais…

Quem sabe?!