Vivência Griô: “Fulorou..Semente de Jurema”

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Quinta, 17 de novembro de 2016. Ao cair do sol  no mar, chamamos Caipora e  a ciência da Jurema..- “Jurema mãe, árvore rainha, me dê licença pra falar em teu nome! Tua sabedoria tão grande, que está aqui antes de nós… Me dê licença pra pisar o chão dos índios, que chegaram aqui antes de nós e  eu te agradeço por guiar minha voz..”

Logo os  ventos se  animaram a dançar… ouvindo o som do maraca  e nossa voz a silenciar. Ouvimos o vento chegar para dançar… E o vento trouxe as histórias ancestrais de minha mãe , de minha avó, bisavó, tataravó…  Até que chegamos! O quilombo.. ouvimos  Malungos a cantar… Bem escondidinhos, em suas cabanas de folhas… a espreitar o caminho, a olhar com seus olhos de vigília..  o cuidado de quem ama e luta.  E pedi: – “Ajudem a salvar das armadilhas! Protejam nosso caminho,  amigos… Nos guardem dos perigos, do inimigo que mora dentro de mim, da feia e cruel armadilha do egoísmo, da vaidade, da ganância da ignorância, das violências das disputas  tolas que nossos feitores nos fazem  cegos: liberte o perdão”…

E assim, tomados pelo elo da roda das memórias e do ritual do contador de histórias…  nos fizemos um só, em sentido anti-horário, lado esquerdo do peito  para o centro da roda, para o centro da terra, para o centro da vida,… Nosso céu era agora o centro da terra. E o povo índio e preto dançou junto o encontro da luta pela vida.

O toré começou… e a tribo dançou junta.. na pisada,  sentir o chão,ocupar a terra,  chamar nossos ancestrais no chão que pisamos. E  assim cheios de uma grande alegria… começamos a bater as palmas,  a tirar de dentro delas, das linhas de nossas mãos os  caminhos para fluir os acúmulos de dor, de medo, de operações tecnológicas.. Descarregamos afetos ao bater das mãos, provocamos a circulação do sangue a transformar a energia parada em som… música ancestral.

os masculinos (sem cabaça) ao centro da roda, as mulheres protegendo, acolhendo, abrigando..Era a fecundação… Estávamos grávidos de folhas e águas…  A semente na água! E aí o tempo virou, homens protegendo o círculo, mulheres ao centro fazendo crescer, dando a vida, embalando as águas,  as folhas unidas, as mãos amparando, a saliva na voz, o canto da plenitude.. transformando o princípio das águas e o princípio das folhas,  em uma outra vida: água filha das folhas…. Filhas das mãos que  semearam a energia que vem do coração.

Aprendi com minha mãe: _ “Só o amor é sábio o bastante para tocar a magia das folhas”

(Texto: “fulorou” por Adriana de Holanda,Para Dandara.. uma das meninas de 8 anos que participou da vivência. Ao se despedir disse no olhar gratidão por esse dia… E foi para rua vender suas balas para comprar seu alimento)

Roteiro da vivência:

  1. sensibilização😮 ritual do contador de histórias: histórias das mulheres, histórias de árvores. Ocupar a terra, a roda, gratidão ao tempo espiral, que retorna o mesmo tempo e nos oferece a possibilidade de transformação do que já foi, a mão que faz o sacrifício das folhas é a mão do coração, a magia da cura pela plantas está nas mãos do cuidador. O desejo da cura como processo de felicidade como  forma de desestabilizar as doenças que nos  ofertamos por acumulo de sentimentos negativos. Jurema. Quilombo. Ancestralidade indígena.
  2. desenvolvimento:  o ritual da roda –  a música conta histórias, o toré, o coco, o afoxé… Caipora – guardiã da floresta e Aroni, o ser que guarda o segredo de todas as folhas se encontraram no Brasil. Mitologias africanas e indígenas. O amor entre a árvore e as águas como princípios filosóficos na  cosmo-visão dos povos tradicionais afro-brasileiros.  O círculo sagrado da vida, princípios masculinos e femininos, a roda da cabaça. A fecundação. A criação da vida.
  3. Finalização: cantos da despedida. O toré. O  cuidar coletivo. Todos se cuidam com as águas das folhas.. O abraço coletivo desfazendo o círculo . O estar em roda como estado ancestral. cantiga de despedida.  O compartilhar de memórias e sentimentos que a roda despertou.

Dados da vivência:

Ocupação Preta da Universidade federal Fluminense- Niterói, RJ.

duração: 2 horas. / metodologia: pedagogia griô

Mediadora: Adriana de Holanda (psicóloga, Griô Aprendiz)

Resumo: Nossa vivência propunha um espaço-tempo  de experimentações em cultura e saúde a partir  da sabedoria das  folhas, árvores e florestas. A disseminação da  memória ancestral  do encontro do povo índio e preto de  África, o quilombo do Catucá, Reis Malunguinhos – Nordeste brasileiro.   Memórias de Cultura e Saúde na ancestralidade indígena da Jurema.

contato: adriana.edugrio@gmail.com

Vivência Griot: ciranda de memórias

Vivência Griô

 

Nesta quarta 09/11/2016 o  grupo Semente de Jurema  realizou a  vivência griot regida pela griô aprendiz Adriana de Holanda e  participação da rabeca de  Marlon Cardozo.
Por meio das memórias, músicas da cultura popular , teatro e contação de histórias, inscrevemos nos  corpos e nos afetos saberes,  compartilhamos conhecimentos e plantamos sementes para a diversidade cultural.

O respeito é nosso patrimônio!
A atividade contou com apoio da Secretaria Municipal de Educação e Cultura de saquarema.

Disciplina:  Estudos Turísticos ministrada pelo Professor Wangles Avelis/
Escola Municipal Orgé Ferreria dos Santos – Saquarema -RJ