Aprendendo a ver televisão….


Mídia produz DISCRIMINAÇÃO CULTURAL, ÉTNICA E RELIGIOSA
Hoje, após ter recebido um telefonema desesperado de Priscila Faria, da cooperação internacional para a valorização da diversidade étnica e cultural do grupo EDUCAÇÃO GRIO, me dei conta de que a luta pelo direito à diversidade de credos, de opções sexuais, de opções políticas, de opções filosóficas, e por aí vai, segundo a nossa constituição federal, é ainda é uma luta grande, é árdua, é pesada, é uma luta séria, franca, de posicionamentos éticos contra o “jogo sujo”, sujo com as palavras, com a memória do nosso povo… É uma luta contra podres poderes que manipulam o discurso e sua  percepção, caro telespectador!
Priscila me dizia da entrevista com a ex-esposa do ex-presidente do Brasil, Fernando Collor, e  se inicia com Roseane louvando em uma igreja e mencionando:
– “VAI OLHAR, VER JESUS BRILHANDO EM VC”: E logo na sequencia a entrevistadora diz: –  “Hoje ela (Roseane)  se senta com a bíblia na mão para dar testemunhos”…
Quando a reportagem começa assim… ela está colocando NA SUA CABEÇA, NA SUA VISÃO DE MUNDO, uma perspectiva única de ver assunto: a ótica religiosa do entrevistado, portanto, a mídia está te roubando o direito de ter acesso a outras  perspectivas sobre o assunto que será abordado.
Prosseguindo com o programa, nos deparamos  com a informação de que a hoje,  pastora  Maria Cecília , na época  da gestão Collor, realizava o que  segundo Roseane, chama de magia negra.
Quando a reportagem diz que hoje uma pessoa é pastora, que ela ocupa um cargo hierárquico em uma igreja, e não diz o que ela foi antes, qual o cargo ocupava pra realizar magia negra, eles estão te fazendo de idiota e negligenciando uma informação que será atacada no decorrer da reportagem: a informação sobre o que é magia negra? 
 Prosseguindo, a entrevista mostra nas palavras da própria Maria Cecília, que a magia negra é um “trabalho (…) imundo, nojento (…)  para que se colocasse ali, na presidência da república,  aquele homem para administrar o Brasil”. Segundo Roseane, os rituais eram trabalhos em cemitérios, trabalhos muito fortes, (…) era matança mesmo de animais: _ “mata galinha, vaca, são animais que são sacrificados” e que “a cor branca do terno foi orientação de Cecília (a atual pastora)  para Collor se proteger dos inimigos”.
Quando a reportagem  arruma o discurso pra voce dessa forma, eles estão te emburrecendo, te fazendo acreditar que:
MAGIA NEGRA= TRABALHO IMUNDO; NOJENTO;
MAGIA NEGRA COLOCA POLÍTICOS INCOMPETENTES E CORRUPTOS NA GOVERNANÇA DO  PAÍS;
MAGIA NEGRA= A MATANÇA DE ANIMAIS
 MAGIA NAGRA= USAR ROUPAS DE COR BRANCA
quando eles fazem isso, eles estão te  fazendo esquecer que:
Você só sabe o que é magia negra a partir da ótica da entrevistada; e que políticos incompetentes e  sem ética se elegem através da compra da mídia, do mkt, e tudo que possa ser comprado, inclusive pessoas…  E essa compra é feita através do roubo do seu dinheiro, através das contas que voce paga, dos impostos que voce paga quando  consome produtos e serviços (roupas, alimentos, livros, água, etc)
A mídia despolitiza nossas escolhas e culpabiliza  o que chama de magia negra por termos políticos corruptos no governo…
A mídia te faz esquecer da matança cruel e insalubre das  mega-empresas alimentícias e de fast food, e de todo mal que se faz ao sistema agropecuário  e a sua saúde cotidianamente, que o frango que voce come é mais hormônio  de crescimento do que proteína animal… 
A entrevista continua … Ainda segundo Roseane,  Collor “realizava o ritual de ficar isolado na própria casa da dinda, (…) ele ficou durante 3 dias isolado mesmo, como se  fosse uma consagração (…) dormindo numa esteira (…) ficando vestido com roupa branca” … Isso foi feito para que o mal voltasse aos inimigos de Collor”… Esses rituais deram origem ao ritual da maldição de Collor, Roseane e Cecília escaparam da maldição porque encontraram Jesus.
Quando  os editores do programa fazem isso, eles estão te dizendo uma só coisa: voce não tem direito  ao saber amplo, aprenda só o que te ensino.. Te aprisionam, te limitam…Seja escravo desse quadrado que está na sua frente!  A TV está dizendo que :
FICAR EM ISOLAMENTO POR 3 DIAS = MALDIÇÃO
CONSAGRAÇÃO = MALDIÇÃO
DORMIR NA ESTEIRA = MALDIÇÃO
VESTIR ROUPA BRANCA = MALDIÇÃO
JESUS=  SALVAÇÃO, É O BEM
MAGIA NEGRA = É O MAL, PRODUZ MORTE
Então, qual a religião que voce conhece que as pessoas usam roupas brancas, deitam na esteira, fazem recolhimento espiritual???
Você ganhou 10 pontos se falou sobre religiões de  matriz africana e indígena, tipo Um banda, candomblé, dentre outras.
Você aprendeu o que eles queriam…. E voce também entendeu que essas religiões são magia negra, sem nem mesmo a reportagem saber dizer o que é magia negra?
E voce entendeu que a mídia, a Rede Globo e Roseane não tem nada a ver com a  vitória das eleições de Collor;
Que a culpa é da magia negra por um político que  é exemplo de falta de caráter, de compromisso com as políticas públicas, com o povo, com a constituição  federal, com o ato de fazer política para o  bem comum, o bem da sociedade….
Voce aprendeu a ver televisão! Você aprendeu a não ter memória…
Aprendeu a esquecer que a própria Rede Globo de televisão manipulou o debate eleitoral, propiciando a vitória de Collor, porque sempre foi uma empresa vendida ao capital e sem ética!
Eu, que sou zeladora de ritual de religião de matriz africana e indígena, me sinto totalmente desrespeitada, pela Rede Globo enquanto uma empresa que se propõem a fazer jornalismo, a falar de educação, diversidade religiosa em sua programação.
Eu que eu faço parte de uma comunidade  de terreiro tradicional em nome dos meus ancestrais negros, africanos, me sinto no direito de exigir uma retratação desse canal de TV sobre a manipulação social, reforçando estigmas e preconceitos com a cultura negra em nosso país.
Exigimos um direito de resposta, porque as pessoas, as crianças, os velhos e os novos, precisam saber que deitar numa esteira não é um ritual macabro como descrito na entrevista… É um ritual de amor à cultura negra, de cuidado com outro, de reflexão!
Que se recolher três dias pra se cuidar espiritualmente, não faz com que inimigos morram, que políticos mentirosos e hipócritas ganhem eleições…. As eleições se ganham com a manipulação da sua vida; da sua mente e  às custas de muito dinheiro que é roubado de você, caro  telespectador!
Acho que seria bom que a TV começasse a explicar, educativamente, o que é magia negra? O que é Jesus? O que se fez ao longo de anos e anos em nome de Jesus, no mundo e no nosso país, com os negros e índios que aqui foram escravizados… Assim,  as pessoas começariam a  pensar como políticos desse tipo ganham as eleições num país como o nosso!
Adriana de Holanda é gestora de projetos e ensino em saúde pública pela FIOCRUZ, aprendiz griô do Ministério da Cultura, Juremeira e candomblecista, gestora do grupo EDUCAÇÃO GRIÔ/Semente de Jurema.

DENUNCIAR ABUSO: MARACATU DE NAÇÃO, QUE BARULHO É ESSE?

Compartilhando:Diálogo do facebook que vem copiado abaixo e que surgiu para expulsar o Maracatu Semente de Jurema/Educação Griô da Praça da Cantareira

Compartilhar:  com todos que ainda se preocupam com a humanidade

No que eu estou pensando: o diálogo dos jovens expressa a formação educacional e de comportamentos discriminatórios, autoritários, intolerantes, arrogantes, egoístas de pessoas que se acham no direito de tolhi a liberdade de expressão de uma cultura ancestral que vem sendo ao longo de anos e anos mantida através de comunidades de terreiro e de comunidades culturais tradicionais do nosso país… O diálogo abaixo retrata a mentalidade de jovens  da cidade de Niterói,  que frequentam um espaço público, a conhecida Praça da Cantareira, em São Domingos, um local de consumo de drogas lícitas e ilícitas, mas que também é local de tráfico de drogas, de prostituição infantil, de roubo, de agressão a jovens homossexuais, de assassinatos, de roubos e furtos, dentre outras mazelas da nossa sociedade. 

Atualizar informações: O Maracatu de Nação é uma música e um patrimônio vivo do legado de negro, de índio e de povos que vieram para nosso país… Nossa cultura híbrida, diversas, misturada, reinventada resiste em suas matizes afro e indígena e esse legado cuidamos com carinho, dignidade e exigimos respeito…

Registro de Atividades: O Semente de Jurema é legado da ancestralidade africana e indígena do nosso país… É um projeto social educativo através da música e da valorização da relação da comunidade (egbe) com a natureza. A música do maracatu não é  uma música que vai anestesiar e fazer todo mundo rebolar… é uma música de ancestral, de luta, de louvação, de religação, de mensageiros…

 Através da suas oficinas, vivências e aulas-espetáculo, muitas crianças da comunidade tiveram acesso a saber o que é o maracatu,  o que é cultura negra, o que é o comum da comunidade, o que é memória social, e cultural desse país.

Nas escolas em que fomos ao longo de quase três anos de trabalho pudemos ter a honra  de disseminar para crianças de escolas públicas do estado do RJ o que é o maracatu, o que é cultura negra, … quem formam e são sos pretos e pretas que coloriram a alma do nosso povo… .

Denuncia abuso:

Cabe sempre perguntar por quê um abaixo assinado para expulsar o maracatu? Que barulho é esse que incomoda tanto?

Por que  esses jovens de classe média, alta  que querem “expulsar o maracatu porque acham chato”???? barulho chato!!!

Por que essas pessoas, cidadãos de uma cidade que está sendo destruída pela especulação imobiliária e pelo roubo das verbas públicas não se mobilizam por  outras causas???

Será ser roubado e discriminado é não é chato???

Por que os frequentadores da praça da Cantareira não se mobilizam para  outras coisas da nossa sociedade que são chatas: violência, roubo, estupor, assalto, tráfico de drogas, torturas, escravidão moderna, fome, miséria, destruição da natureza??? Tudo isso acontece na Praça da Cantareira também.  Será que isso fica invisível depois de uns goles de cerveja e  o pessoal da praça só tem olhos pro telão do futebol? Será  ninguém vê? Ninguém ouve? Ninguém sente?

Por que será que esse barulho incomoda tanto???

Compartilhando agora o diálogo do facebook:

“Esse maracatu é mto chato da cantareira! Credo!
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Luana Jericó e Joao Paulo Cavicchini Junger curtiram isso.
Saulo Guimarães Demais….avisa isso pra eles avisa!
28 de Junho às 16:04 via celular · Curtir
Veronica Morais Vouuuuuu .. vamos todoss! Maracatu chato pra kct! rrrs
28 de Junho às 17:11 · Curtir
Luana Jericó demais, demais…pra tudo tem hora e local.
28 de Junho às 17:43 · Curtir
Cristiane Ferreira nem me fale…tem q ter um abaixo assinado para expulsar esse pessoal..rs
28 de Junho às 19:21 · Curtir
Veronica Morais VAmos, vou votar 10 vezes.
28 de Junho às 21:35 via celular · Curtir
Veronica Morais Kkkkko
28 de Junho às 21:35 via celular · Curtir”

É  por isso que a Educação Griô é um também uma militância estética por uma educação que contribua pra formar pessoas mais sensíveis, e que respeitem a diversidade cultural brasileira e o direito a liberdade de expressão.

Música e Educação Griô: Que raio de barulho é esse que incomoda tanto?

A Griô Aprendiz, Adriana de Holanda, e o Grupo  Semente de Jurema,  que tem no Maracatu de Nação de Permabuco sua maior referencia musical, se apressentaram na comemoração de 10 anos da Rádio Pop Goaiba de Niterói.Um evento que corou 10 anos de luta pela liberdade de expressão…


E solicitos, partícipes e engajados nessa luta que é a nossa luta, estavamos lá, pra ecoar o som dos tambores que “abalam o firmamento” e que evocam nossos ancestrais a estarem dançando e sonorizando a vida entre nós!

Estávamos lá, no mesmo território estético – o placo, a rua, o público.. para louvar em nossas canções o o Rei Malunguinho – líder Quilombola de Pernambuco e entidade encantada da Jurema Sagrada, um ritual religioso.

 

Estávamos lá  para sonorizar a memória de nossos ancestrais e comartilhar com jovens e adolescentes Estávamos lá, pra verbalizar, pra sonorizar, “pra sacudir as goaibeiras”, os preconceitos, as discriminações….
..

E mais uma vez, na mesma semana, fomos “convidados a tocar um pouquinho mais pra lá”… porque o  barulho do maracatu incomoda demais…

Mais que raio de barulho é esse que incomoda tanto? Mais do que as guitarras, o sax, a bateriais, os baixos, e todos os intrumentos… mais do que a voz  da Elza Soares que todos os fãs gritavam junto…

 

Que barulho é esse que incomoda tanto?

Que faz com que em menos de uma semana,  nós tenhámos sido  “convidados” a parar de fazer música, pelos prórpios organizadores dos eventos, solicitos das reclamações  de terceiros???

Que barulho é esse que querem calar???? Que barulho é esse que na festa da liberdade de expressão é convidado a ser silenciado?

 


Educação Griô: lugar de cultura afro-brasileira é na escola, é na rua, é na praça,  é na favela, é no museu, é no cinema, é no teatro, é na favela, é na vida!

















Educação Griô: Lugar de Cultura Afro-Brasileira é na Escola!

Na semana passada, a Griô Aprendiz Adriana de Holanda e o Grupo Semente de Jurema participaram do Seminário DO AFRO AO BRAS, na cidade de Macaé – RJ.

 O seminário tinha como foco a capacitar educadores locais para a implementação da lei que obriga o ensino de Hisótia da África e da Cultura afro-braisleira em todas as  unidades educacionais brasileiras. O primeiro momento foi de fazer a roda das palavras girarem os pensamentos para longe de todas as dificuldades que se apresentam no cotidiano escolar e na vida, na direção de fazer com que os saberes da cultura popular e  que os mestres de comunidades tradicionais sejam respeitados.

         

 Estar no seminário foi um oportunidade de poder dialogar sobre intolerância que existe acerca da diversidade cultural, sobre a  possibilidade de espaços heterogêneos de escuta e fala, de  histórias híbridas, de mensagens, de saberes de povos, de coisas, de reinados africanos, de princípios, de ética e de formas sociais  diferentes daqueles que historicamente foram inculcadas  nas mentes dos estudantes brasileiros.

Mas estar no seminário nos impeliu a buscar a construção de caminhos efetivos para que a cultura negra e indégena faça parte do cotidiano da educação tanto formal como não-formal dos nossos estudantes brasileiros. A pedagogia griô nos provoca a construir esses caminhos, juntos, no coletivo, no encantamento da educação pela cultura…


Fomos nós também  colcoados a viver na prática  aquilo que falávamos…  Quando saímos do discurso racional;  passamos  para a vivência real da música, do fazer cultura, da ancestralidade do povo quilombola,  dos indígenas, de todos os fazedores de cultura  que  resistiram historicamente às ações da polícia, às práticas de extermínio, às agressões e desvalorização das políticas de estado…
Assim, Fomos  “convidados” a tocar, cantar e nos expressar cada vez mais afastados das salas de aula, apesar de fazermos parte da programação do evento. E fomos nos afastando cada vez mais, e quando pensávamos que conseguiríamos louvar nossos pretos, pretas, nossos mais velhos, nossos sábios analfabetos, mas de uma sabedoria infinita… Novamente fomos interrompidos….E sob a ameaça de sermos processados junto com os organizadores do evento pela banca de seleção de professores de um concurso que estava em curso. 
 Assim, em 10 minutos de cultura negra no espaço  educacional   e a roda da história dos saberes na escola gira e cria conflitos, mal-estar, impedimentos, ameaças…. Afastamentos! 
Nos cabe sempre perguntar por quê? 
Não de quem é a culpa… 
Mas do que todos nós, no nosso cotidiano, que muitas vezes somos vítimas de preconceitos e intolerancias estamos fazendo quando nos deixamos ser afastados dos espaços formais de educação…  
Por quê?
Por que será que é tão difícil a cultura negra ter o mesmo valor e respeito que as  provas, as notas, os números, os diários, os controles de frequencia, os livros e saberes  acadêmicos…
Quando faremos a “reforma agrária” da educação? 

Não se trata de uma disputa mas de  construir um caminho em que esses saberes o da cultura e da educação formal/tradicional tenham o mesmo espaço e o mesmo valor…
É por isso, que a pedagogia grio é uma trilha, que ainda precisa ser aberta na selva de pedra das relações sociais que foram produzidas na  mentalidade humana, das ações e valores humanos, que precisam ser sensibilizados, reconstruídos…

Agradecemos muito  a coragem dos organizadores do evento por terem nos dado a oportunidade de mostrar que  a cultura afro-brasileria ainda tem que lutar muito por sua valorização!

 Estamos juntos porque essa luta é real, é pela paz, pela liberdade, pela humanidade, por uma outra sociedade menos intolerante!

Educação Griô: lugar de cultura é na escola!